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sábado, 8 de maio de 2010

Brincandeira séria

O sábado foi mais um dia de trabalho puxado no set de filmagem. Uma novidade interessante é que, já tendo uma parte do filme (película) revelada, mesmo ainda concluindo as filmagens, foi iniciada a montagem, a cargo de Helgi Thor.

Mas quem será essa no set de filmagem? Uma futura cineasta?



Melissa e o pai (na telinha), o produtor Sidney Girão(foto: Soraya Ramalho)


Melissa, de cinco anos, é filha do produtor Sidney Girão. Ela adora cinema e o pai quis lhe mostrar como são feitos os filmes. Olha só no que deu... Embora ela ainda esteja pensando qual a história que quer contar, pelo visto já tem um personagem principal: ele mesmo, o pai :)

Mas o trabalho no set não pode parar. São rodadas mais algumas cenas com Ruth (Via Negromonte) em seu ateliê.



Ruth (Via negromonte). (foto: Soraya Ramalho)

A câmera precisa capturar a expressão no rosto da personagem, destacando-a.






Ruth (Via negromonte). (fotos: Soraya Ramalho)


Para o braço e a postura de Via Negromonte ficarem de acordo com as cenas em que Ruth está pintando, a atriz teve a consultoria mais que especial do artista plástico Vando Figueiredo, que lhe deu dicas sobre o assunto. A vontade era de ficar do ladinho deles, aprendendo um pouco...



O artista plástico Vando Figueiredo e Via Negromonte (Ruth). (foto: Soraya Ramalho)



Via Negromonte (ou será Ruth?) leva jeito para a coisa, não? (foto: Soraya Ramalho)


Buscando a imagem perfeita, o diretor Glauber Filho quis que a tela do quadro balançasse menos com as pinceladas. Pediu ao contra-regra Davi para resolver o problema. Davi logo “inventou” uma forma: encaixou uma base de isopor atrás da moldura.




O contra-regra Davi. (foto: Soraya Ramalho)

Davi soluciona “detalhes” diversos e importantíssimos, como providenciar um “remédio” que a personagem/atriz precisou tomar (para preencheer a cápsula, ele conta que usou pastilhas de hortelã trituradas).

Já a foto abaixo foi providenciada pela fotógrafa oficial Soraya Ramalho, para registar o artista ao lado do quadro de sua autoria, a adaptação da leiteira de Johannes Vermeer.



O diretor Halder Gomes, entre as artes plásticas e o cinema. (foto: Soraya Ramalho)



E olha aí a equipe pegando carona. Com tanto trabalho, é bom ter momentos assim, em que todo mundo vira criança, para se energizar e continuar a luta. (foto: Soraya Ramalho)

Ah, a cartela de cores é exibida no início de toda a captura de imagens, para ter certeza de que o resultado final vai ser fiel às cores desejadas. Até breve!


(texto: Valéria Dallegrave)

quinta-feira, 6 de maio de 2010

Os personagens: do roteiro à vida

É normal que os atores necessitem de muita concentração. Principalmente quando há cenas dramáticas, que envolvem emoções fortes, é importante preservá-lo para que possa mergulhar no personagem.



Daniel Dias sendo maquiado (ou será que já é Raul?). (foto: Soraya Ramalho)

No camarim, onde é feita a maquiagem, procura-se criar uma ilha de tranquilidade. Nos últimos dias, deu para sentir até um cheirinho de incenso , o que ficou explicado: Via Negromonte é professora de yoga (dakshina tantra yoga) no Rio de Janeiro.




Ruth (Via Negromonte) e Raul (Daniel Dias): a relação mãe-filho foi o grande tema do dia. (foto: Soraya Ramalho)

Já no set, pode ser necessário repetir diversas vezes a mesma cena e o ator vai ser muito exigido para representá-la, a cada momento, como se fosse a primeira vez. E ainda, se no teatro a história é encenada de uma só vez, do início ao fim, no cinema a filmagem não obedece a ordem do roteiro, precisando se adequar à disponibilidade de locações e atores.




Não é uma agulha, é mais um detalhe na maquiagem! (mas... é Raul ou Daniel Dias?). (foto: Soraya Ramalho)

Perguntei a Daniel como é isso de “ligar” e “desligar” determinada emoção. E ele me esclareceu que, a cada cena, o ator precisa ter consciência do personagem como um todo e de como e onde aquele momento se encaixa no roteiro. Assim, é preciso estar com o texto todo bem memorizado e claro.



Raul (Daniel Dias) e Ruth (Via Negromonte). (foto: Soraya Ramalho)


Herson Capri usa o termo “estudo” para se referir a esse processo. Ele considera que a concentração começa na primeira leitura do texto e, até, na decisão de aceitar o trabalho ou não. “O estudo começa a partir daí, em perceber todo esse universo do personagem, como é sua relação com a família, o que ele pensa. Depois, em repassar o texto com um colega e mais...” Para Herson, quanto maior o estudo, maior a profundidade da concentração (mas ele faz a ressalva de que para alguns atores a lógica é inversa: quanto menos concentrados, melhor se saem na cena).



Mário (Herson Capri). (foto: Soraya Ramalho)

Hoje, as cenas rodadas foram novamente de forte carga dramática e a equipe sentiu pairando no ar a emoção que envolve a personagem Ruth (Via Negromonte).


A diretora de fotografia Carina Sanginitto, o câmera Zé Bob, o diretor Halder Gomes e o microfonista Fábio. (foto: Soraya Ramalho)

Via Negromonte explica que, para a concentração, há “infinitas ferramentas e técnicas de abordagem, tanto no teatro quanto no cinema”. Conta que, ontem mesmo, no final do dia, a última cena da qual participou era a primeira a constar no roteiro.


Raul (Daniel Dias) e Ruth (Via Negromonte). (foto: Soraya Ramalho)


Para lidar com toda essa fragmentação, a atriz diz que é preciso manter o veio da história e a linha das emoções, lembrar em que estágio se estava na cena anterior (ou posterior), para alcançar novamente aquele ponto.


Ruth (Via Negromonte). (foto: Soraya Ramalho)


Aliás, Via Montenegro é também terapeuta e cantora (está lançando um cd de mantras). E diz que desistiu de dar a cada uma dessas diversas áreas da sua vida um peso determinado, deixando que todas fluam em harmonia, pois “o universo conspira e tudo é uma coisa só”.


E agora, onde será que vai o Raul (Daniel Dias)? (foto: Soraya Ramalho)



(Texto: Valéria Dallegrave)

sexta-feira, 30 de abril de 2010

Apenas mais um dia de trabalho normal

Karl, o jornalista cético, chega a Uberaba. O antigo aeroporto de Fortaleza serve de locação para a cena que envolve 42 figurantes. O saguão do aeroporto foi preparado com antecedência, com a caracterização da porta de saída do desembarque ao fundo, à esquerda. Em azul, no final do corredor, a equipe de arte providenciou um stand de informações.


Karl (Caio Blat) e o motorista de táxi (Sidney Souto). (foto: Soraya Ramalho)


Apesar de tanta gente participando, a filmagem foi tranquila. Os figurantes foram bem orientados com relação a sua participação e, já no primeiro ensaio, tudo correu como planejado. Ao grito de “ação!”, a câmera, sobre os trilhos, acompanhou Karl e o motorista pelo saguão.


Karl (Caio Blat) e o motorista (Sidney Souto). (foto: Soraya Ramalho)


Na cena em movimento, como não seria possível o microfonista acompanhar os atores, foram usados, dessa vez, microfones de lapela, a fim de registrar a conversa entre os personagens.

O microfonista Fábio Socorro. (foto: Soraya Ramalho)


A filmagem da entrada de Karl no táxi foi a que deu mais trabalho. Primeiro foram os imprevistos que dificultaram a captura do som: o barulho dos ônibus, dos aviões e, por último, o vendedor de tapioca, que passou feliz, fazendo a maior propaganda do seu produto para aquele monte de compradores em potencial: “Olha a bicicleta da tapioca! Só R$ 0,30!”.


Karl (Caio Blat) e o motorista(Sidney Souto). (foto: Soraya Ramalho)


Com todos esses contratempos, o sol mudou de posição e aí a luta foi para conseguir a iluminação correta. Por volta das quatro da tarde, finalmente se alcançou o resultado esperado e ficou registrado o momento em que Karl embarca no táxi.


O operador de áudio, Alfredo Guerra, a continuísta Io, o diretor Halder Gomes e o ator Caio Blat. (foto: Soraya Ramalho).


Além dos microfones de lapela dos dois atores, ainda foram instalados mais dois dentro do táxi, para garantir a qualidade do som.



Karl (Caio Blat).(foto: Soraya Ramalho)


Aí, para cumprir o planejamento do dia, a equipe se deslocou para o Porto das Dunas, onde foi rodada uma cena rápida de Karl ao telefone. Para preparar o equipamento no quarto, havia até vinte pessoas dentro de um aposento de apenas 30 metros quadrados. Foi complicado, mas fazer o quê!? Apenas mais um dia normal para a equipe...



À esquerda, Caio Blat; ao fundo, os dois diretores, Halder Gomes e Glauber Filho e na câmera, à direita, a diretora de fotografia Carina Sanginitto. (foto: Soraya Ramalho)

(Texto: Valéria Dallegrave)

quinta-feira, 29 de abril de 2010

Sobe!?

Um dos elevadores do Edifício Pimentel, parado no andar da filmagem desde o primeiro dia, acabou sendo usado como suporte para o equipamento de iluminação. O problema virou solução, todos estavam satisfeitos.




Na cozinha de seu apartamento, Lara (Taina Muller). (fotos: Soraya Ramalho)

Mas, no final da manhã, chega um eletricista chamado pelo pessoal do prédio para consertar o elevador. Todos equipamentos são retirados do mesmo e é preciso uma conversa especial com Seu Tabosa. Demorou um pouco, mas deu tudo certo.


Lara (Tainá Muller) entrando no famoso elevador. (foto: Soraya Ramalho)

À tarde, os equipamentos são transferidos para o quarto de Karl (Caio Blat), montado ao lado da sala de Lara (Tainá Muller). O ambiente foi criado pela equipe de arte novamente de forma a refletir a personalidade do personagem.




Santiago (Gustavo Falcão) e Karl (Caio Blat). Acima, Karl em seu apartamento. (fotos: Soraya Ramalho)


Todas as cenas são filmadas mais de uma vez, usando planos mais fechados ou abertos, ou acompanhando apenas um dos atores. Assim, os diretores terão mais opções para o momento da edição. O diretor Halder explica que, em cinema, a pior coisa é, na hora de editar, você se arrepender de não ter filmado um plano.


Karl (Caio Blat) e Santiago (Gustavo Falcão). (foto: Soraya Ramalho)

Mas para isso funcionar direito, e os cortes não mostrarem "saltos" de um plano para outro, o papel de Io (Ioneide), a continuísta, é fundamental. Ela fica sempre ao lado dos diretores e de Marco, o responsável pelo funcionamento dos vídeos que mostram as imagens sendo capturadas naquele momento pelas câmeras.


Io,a continuísta e Marco, o responsável pelos vídeos. (foto: Soraya Ramalho)


É freqüente, nos intervalos das filmagens, enquanto os outros estão já fazendo um lanche, ela permanecer trabalhando. Io anota minuciosamente tudo que aconteceu na última cena: orientações espaciais, como os movimentos e gestos dos atores, a direção do olhar, a posição de objetos manipulados; e temporais, como o momento das falas... e muito mais. Não é para menos que ela carrega sempre uma pasta cheia de anotações, boletins e outros papéis, além do roteiro...


Io, a continuísta. (foto: Soraya Ramalho)


O dia termina sem mais imprevistos ou sustos, fora os que alguns levam com os saltos do elevador que, para alegria de muitos, não será mais usado, pois no dia seguinte a locação vai ser outra...


Karl (Caio Blat), no elevador.(foto: Soraya Ramalho)

(Texto: Valéria Dallegrave)

quarta-feira, 28 de abril de 2010

Técnica e sensibilidade

Embora, muitas vezes, de um dia para outro, mude o local de filmagem, hoje é o segundo dia em que estamos no Edifício Pimentel, no centro de Fortaleza, cujo apartamento 1002 está servindo atualmente como locação. O prédio já tem uma certa idade e fica evidente que o elevador é o mesmo da época em que foi construído, assim alguns membros da equipe preferem encarar as escadas até o décimo andar.
Bem, o prédio, o elevador e os diretores continuam os mesmos de ontem...
Mas, nessa quarta-feira, a grande novidade é a chegada de Caio Blat para iniciar sua participação nas filmagens.


Caio Blat interpreta o jornalista Karl (foto: Soraya Ramalho)


Durante a manhã, há também cenas de Lara sozinha em seu apartamento, que exigem da atriz Tainá Muller muita concentração. Sua personagem vive um conflito, expresso de forma reflexiva nos momentos de intimidade.



Lara (Tainá Muller). (foto: Soraya Ramalho)


À tarde, os três atores do elenco principal, Caio Blat, Tainá Muller e Gustavo Falcão, “mergulham” em seus personagens, respectivamente, Karl, Lara e Santiago, em cena de alta carga dramática.


Santiago (Gustavo Falcão) , Lara (Tainá Muller) e Karl (Caio Blat).



Karl (Caio Blat) e Lara (Tainá Muller). (fotos: Soraya Ramalho)


O trabalho dos atores é resguardado por diversas precauções técnicas. De fato, é como se a técnica "amparasse" a sua interpretação. Todos que trabalham na retaguarda da produção estão no apartamento 1001, tratando das providências necessárias para que a filmagem, nesse dia e nos próximos, corra da forma mais tranquila possível. E fazem silêncio completo sempre que necessário. E ouvem as falas carregadas de emoção dos atores, sabendo que a performance dos mesmos irá valorizar o trabalho de cada um.



Karyna Dantas e Via Negromonte (foto: Soraya Ramalho). Karyna, sempre sorrindo, cuida para que, entre uma refeição e outra, ninguém passe fome ou sede, sem falar no cafezinho...


É impressionante a maneira como, na produção de um filme, a busca pela perfeição técnica e a sensibilidade artística em compreender e representar dramas e emoções humanas trabalham harmoniosamente. Para isso acontecer, claro, cada um dos envolvidos deve ter consciência da importância do seu trabalho para a equipe, respeitando também a tarefa do outro.
Cabe aos diretores guiar esse processo com consciência de tudo que é importante para o resultado final, ou melhor, de todos que são importantes...


E olha eles aí de novo... os diretores Halder Gomes e Glauber Filho. (foto: Soraya Ramalho)

(Texto: Valéria Dallegrave)

terça-feira, 27 de abril de 2010

No apartamento de Lara (Tainá Muller)

A filmagem continua, agora no apartamento de Lara (Tainá Muller), decorado pela equipe de arte com as cores vibrantes que caracterizam a personagem. As cenas gravadas envolvem Santiago (Gustavo Falcão) e Paulo Goulart Filho(Cassiano).


Detalhe do apartamento de Lara (Tainá Muller). (foto: Soraya Ramalho)



Gustavo Falcão como Santiago (foto: Soraya Ramalho)


Foi o último dia de participação nas filmagens para o ator Paulo Goulart Filho. A despedida incluiu palmas de todos da equipe, puxadas pelo diretor Glauber Filho.



O ator Paulo Goulart Filho no camarim.(foto: Soraya Ramalho)


O espaço reduzido para alocar a equipe técnica, que precisa se movimentar a cada momento, adequando localização de câmeras e demais equipamentos, exige de todos um cuidado especial. Porém, a arquitetura do lugar facilita o trabalho, as diversas portas de comunicação permitem que se possa ir de um quarto a outro observando através dos vãos a sala de Lara, sem cruzar o campo de filmagem. Mas é preciso suportar o calor e preservar o silêncio.



Visão mais ampla da sala do apartamento de Lara. (foto: Soraya Ramalho)


As janelas são cobertas por mantas para evitar a entrada de luz, o que intensifica ainda mais a concentração de todos. É um momento dramaticamente forte do filme e a intensa reação de Santiago(Gustavo Falcão) envolve a todos. Pode ser sentida no ar a energia que será transmitida pelas imagens nas salas de cinema...






Santiago (Gustavo Falcão). (fotos: Soraya Ramalho)


O diretor Halder Gomes (foto: Soraya Ramalho)


O diretor Glauber Filho (foto: Soraya Ramalho)



Os dois diretores e Io (Ioneide), a continuísta. (foto: Soraya Ramalho)

(Texto: Valéria Dallegrave)